"Sopa de Massa" de Constantino Alves


"Ó Carlitos, tu tens é de voltar para casa, impores-te à tua mulher, dizeres que estás regenerado, que não voltas a violá-la, que és um santo homem, que agora é a valer, vais arranjar trabalho, não voltas a gamar. Dizes assim à tua", dizia, ele, o Carlos - "A rua não é para mim, não sou da estirpe da vadiagem". E tu Amélia - "Fazes-te santa, começas a comer a sopa toda, limpas-te assim cum guardanapo à frente deles, dizes, olha o que dizem agora, que queres agarrar todas as novas oportunidades e pedes pra trabalhar pra cruz vermelha, que és religiosa e o teu pai era vermelho, tás a ver? Cruz-religião, vermelho, cruz vermelha".

Este é o texto de apresentação desta peça de teatro. Não existe foto no flyer, apenas este texto.

O actor Pedro Oliveira é algo de genial e fantástico. Na primeira peça que vi com ele, "O Fetichista", fiquei fascinado com a sua capacidade de encarnar nas personagens. Nesta peça, esses fascínio voltou... Ele é incrível! Em ambos as peças ele actua sozinho, e posso adiantar que as peças não se tornam nada monótonas, porque ele consegue dar imensa vida.

Nesta peça, a personagem principal, um vagabundo, vagueia pelo seu mundo de loucura e de sátira à sociedade actual, sempre com muitos palavrões pelo meio e grandes metáforas muito bem elaboradas. Dentro de toda esta loucura, ele surge com piadas muito bem metidas e super originais! Apesar de ser um monólogo, não é nada aborrecido. Durante toda a representação, somos confrontados com detalhes incrivéis que não vou revelar aqui.

Outra particularidade desta peça, no canto do palco estava um senhor a tocar um instrumento que complementava as falas. Um detalhe interessante.

Gostei muito da peça. Os meus parabéns para o Pedro Oliveira, é um grande actor.

FICHA TÉCNICA
Autor: Constantino Alves
Adaptação e encenação: Pedro Oliveira e Pedro Wilson
Interpretação: Pedro Oliveira
Técnico de luz e som: Hélder Nunes