Synecdoche, New York

Charlie Kaufman conhecido pelos seus argumentos, estreia-se aqui com a sua primeira realização. Filme surpreendente que segue a linha de "Being John Malkovich", "Adaptation" e "Confessions of a Dangerous Mind". Um filme que obriga o cérebro a não adormecer, pois facilmente se perde o fio à meada. Perto do final pode tornar-se confuso e divertido ao mesmo tempo.

Philip Seymour Hoffman oferece assim mais um desempenho brilhante da sua carreira, na pele de um Caden Cotard que vive à espera da morte, vendo assim o tempo e a vida passar por ele, uma angustia que consegue passar do ecrã para o espectador.

Cotard vive a sua vida em função das suas mulheres e ao longo do filme vamos percebendo que apenas elas têm vida, só elas vão construindo algo. O espectador quase enlouquece quando os actores que interpretam outros actores são ladeados por uma tela, na qual mais pessoas são projectadas, completando um círculo de inumeras representações dramáticas numa ficção da ficção, da ficção...

Caden foca a luz para cada um de nós, para mostrar que por mais que sejamos meros figurantes no que diz respeito à Humanidade, somos, claro, todos protagonistas das nossas próprias vidas.
Um filme a não perder.

Curiosidade:
O nome de Caden Cotard não é escolhido ao acaso para este filme, já que o Sindroma de Cotard ou delírio de Cotard, consiste numa rara patologia neuropsiquiátrica na qual a pessoa possui a crença delirante de que já se encontra morta, não existe, está putrefacta, ficou sem sangue ou orgãos internos.

De 0 a 10 merece um 7.5

Nota: Escrito pela nova colaborada, que se identifica simplesmente, como S. Obrigado...

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